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Home Notícias Alexandre Wollner e Marika Gidali na mostra

5 dez 2013

Alexandre Wollner e Marika Gidali na mostra

A Programação Paralela do Educativo Bienal na mostra 30 × bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição começou com tudo. No primeiro dia da programação, sábado (23/11), aconteceu um ateliê na casa da artista plástica Amélia Toledo, e no domingo (24/11) encontros e palestras tomaram conta da programação. Veja toda a Programação Paralela do Educativo Bienal, aqui

Curadora do Educativo Bienal, Stela Barbieri faz intrudução às palestras. – Palestra com Marika Gidali na programação paralela da mostra 30xBienal, parceria do Educativo Bienal com a Secretaria de Estado da Cultura – ProAC SP. São Paulo, 24/11/2013. © Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

 

A bailarina Marika Gidali e o designer gráfico Alexandre Wollner fecharam o primeiro final de semana da Programação Paralela com uma conversa muito instigante sobre trajetória de vida, processos criativos e o IV Centenário.

 

Confira abaixo alguns trechos desse encontro:

Palestra com Marika Gidali na programação paralela da mostra 30xBienal, parceria do Educativo Bienal com a Secretaria de Estado da Cultura – ProAC SP. São Paulo, 24/11/2013. © Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

 

Marika Gidali é uma premiada bailarina e coreógrafa brasileira, fundadora do Ballet Stagium. Atuou como bailarina no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ballet do Teatro Cultura Artística e Ballet IV Centenário. Tem um trabalho relevante com comunidades, e criou o projeto Escola Stagium, no qual levou mais de 80 mil crianças e adolescentes da periferia de São Paulo aos seus espetáculos. Coordenou atividades de dança nas unidades da Fundação Casa (antiga Febem) e foi premiada pela Unicef. Fundou o projeto Joaninha, utilizando a dança e outras formas de arte para a inclusão social.

“O Ballet IV Centenário marcou todos os bailarinos que passaram por lá e mudou a história do ballet brasileiro, deixou um legado muito importante.”

“Quando entrei no Ballet IV Centenário eu tinha 14 anos e foi duro, porque era necessária uma enorme dedicação. As aulas eram das 9h às 14h e das 16h às 21h. Era um ritmo de trabalho louco. Não dava para ser da companhia e estudar ao mesmo tempo, por isso muita gente ficava em dúvida. Eu nunca tive dúvidas.”

“Eu comecei como aspirante e ganhava super pouco. Mas mesmo se eu não ganhasse nada eu estaria feliz, só de estar lá.”

“Eram 16 ballets, orquestra ao vivo com 80 músicos. Já pensou?”

“Jânio Quadros achava supérfluo o Ballet, mas na verdade era um jogo político entre ele e o Ademar Barros. Ele chegou a proibir a entrada da companhia no Theatro Municipal de São Paulo, um absurdo!”

 

Palestra com Alexandre Wollner na programação paralela da mostra 30xBienal,parceria do Educativo Bienal com a Secretaria de Estado da Cultura – ProAC SP. São Paulo, 24/11/2013. © Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

 

Alexandre Wollner é um dos grandes nomes de design do Brasil. Iniciou seus estudos no Instituto de Arte Contemporânea – IAC, criado no Masp, em 1950. Colaborou na montagem de exposições importantes, como a de Max Bill (Masp, 1951). Interessado no movimento concretista entrou para o Grupo Ruptura, e apresentou suas pinturas na 2ª Bienal, na qual levou o Prêmio Pintura Jovem Revelação Flávio de Carvalho. Reconhecido por seu talento, Max Bill o escolheu para uma vaga na Hochschule für Gestaltung Ulm (Escola Superior da Forma de Ulm) na Alemanha. Nesse mesmo período, criou cartazes para mostras de cinema em parceria com Geraldo de Barros e cartazes da 3ª e 4ª Bienal. De volta ao Brasil, fundou juntamente com Geraldo de Barros, Ruben Martins e Walter Macedo, a FormInform, escritório pioneiro em design no país.

“O IV Centenário foi um momento incrível na história do Brasil. A ‘competição’ entre Ciccillo (Bienal) e Chateaubriand (Masp) modificou o conceito cultural da época. Existia uma noção de necessidade de mudança.”

“Ciccillo fez a 1ªBienal e trouxe alguns conceitos da Europa que não chegavam até nós. Mondrian, Klee, a própria Bauhaus e toda sua influência.”

“Ajudando o Maria Bardi a montar exposições comecei a perceber a arte, e isso foi muito importante para mim. Montei junto com ele a exposição do Max Bill.”

“Geraldo de Barros foi o autor da marca do IV Centenário, e eu fui convidado para auxiliar em seu trabalho. Eu não sabia pintar, só sabia desenhar e ele me ensinou a pintar, foi o início de uma grande parceria.”

“Um fato engraçado da minha ida a Alemanha, é que Geraldo de Barros foi convidado para estudar na Ulm (sucessora da Bauhaus), mas ele estava noivo, e tinha um futuro promissor no Banco do Brasil, e me cedeu carinhosamente o convite. Não tive dúvida e fui.”

“Lá tive aula com Tomás Maldonado, Max Bense e Josef Albers. Entrei em contato com a concepção mais pragmática do design, o design industrial, que foi marcante.”

“Ganhei o Prêmio Revelação Flávio de Carvalho na 2ªBienal, e fiz os pôsteres da 3ª e 4ª Bienal, esse último junto com Max Bill.”

“Quando voltei para o Brasil me juntei a Geraldo de Barros, Ruben Martins e Walter Macedo e montamos o primeiro escritório de design do Brasil, a FormInform.”

 

Texto: Vivian Lobato
Fotos: Sattva Horaci

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