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Home Notícias A complexidade do contemporâneo e a 31ª bienal

18 fev 2014

A complexidade do contemporâneo e a 31ª bienal

O primeiro encontro de 2014 reuniu professores de artes, de humanidades e da Educação Infantil da Escola Guilherme Dumont Villares, em São Paulo.

O Educativo Bienal em parceria com a Secretaria do Estado da Cultura – ProAC SP deram início aos Encontros sobre arte de olho na 31ª Bienal de São Paulo, que acontece de setembro a dezembro. O primeiro encontro de 2014 reuniu professores de artes, de humanidades e da Educação Infantil da Escola Guilherme Dumont Villares, região oeste da cidade de São Paulo.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

Dando início à conversa, em roda, a palestrante do Educativo Bienal Carolina Melo pediu para cada participante responder a pergunta: “Como você vê a arte na sociedade hoje?”

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

“Arte como dúvida e questionamento”, “Arte como movimento democrático”, “Arte como expressão e descoberta” “Arte é diversidade”, “Arte é ponte”, “Arte como construção de sentido da vida”, foram algumas das respostas que saíram dos participantes.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

Após todos responderem, Melo falou sobre os questionamentos que não só a arte como também a 31ª Bienal de São Paulo traz para nossa sociedade. “É difícil entender a complexidade das dimensões sociais”, disparou a palestrante.

De acordo com Melo, é complexo falar de coisas que estamos vivendo. “O contemporâneo, o hoje, não conseguimos falar e analisar de uma forma completa, com certo distanciamento.”

Para apresentar alguns conceitos da próxima exposição, a palestrante dividiu os participantes em quatro grupos e propôs que eles conversassem sobre uma obra, e uma das quatro lentes abordadas no Material Educativo da 31ª Bienal: transformação, coletividade, conflito e imaginação. As lentes são ferramentas propostas pela curadoria da 31ª Bienal que ajudam a enxergar e discutir uma obra ou projeto do artista.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

Antes de começar a proposta, Melo lançou um desafio para os participantes: a discussão nos grupos não poderia ser feita através da fala. Outro detalhe: eles não sabiam que todos os grupos receberam a mesma obra, apenas a lente em questão era diferente.

O aprendizado pelo silêncio

Depois de um período em silêncio e com a discussão através de mímicas e desenhos, os participantes expuseram suas ideias na roda e perceberam que a mesma obra pode ser abordada sobre diferentes pontos de vista, propostos por cada lente da curadoria da 31ª bienal. “Além das lentes como ferramentas para olhar para cada projeto e artista, a busca por outras formas de expressão para fazer a discussão também nos oferece outro ponto de partida.”, comentou Melo.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

Antes de fechar o encontro com a ação poética, a palestrante falou sobre o título da 31ª Bienal: Como falar de coisas que não existem, e apontou como esse verbo poderá ser substituído por: Como imaginar, Como perceber, Como combater, Como perceber.

Também foi mostrado em primeira mão o cartaz da 31ª Bienal com desenho do artista indiano Prabhakar Pachpute, que respondeu às ideias da curadoria por meio de uma frágil estrutura no formato de uma torre de Babel carregada por um impossível conjunto de corpos humanos. Veja mais aqui

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

Para finalizar, os participantes foram convidados a escolherem um das lentes do Material Educativo da 31ª Bienal, e a eleita foi: conflito. A partir da discussão dessa lente os participantes foram para a ação poética no café de encerramento, e os combinados para colocar o conflito na ação de comerem juntos foram: não falar, comer com a mão contrária ao habitual e não fazer filas em volta da mesa.

O resultado foi bastante surpreendente para os participantes, veja abaixo alguns comentários sobre a formação.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

“É muito difícil ficar sem falar, mas a dificuldade nos aproxima e nos deixa enxergarmos de uma forma diferente, com outras habilidades, com mais cautela e com uma nova configuração. O legal dessa proposta é pensar em diferentes maneiras de se relacionar, por exemplo, com os alunos. Buscar formas fora do cotidiano, alternativas nas relações e saídas para melhorar as relações.”

Oiram Bichaff, músico, educador e coordenador Educacional do Ensino Médio no Colégio Guilherme Dumont Villares.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

“A linguagem oral se sobrepõe as outras linguagens e esse exercício de ficar sem falar é muito bacana. Acredito que o conflito seja muito importante para refletirmos sobre nosso cotidiano e relações. Em todo lugar há conflito.”

Juliana Fernandes, coordenadora da Educação Infantil no Colégio Guilherme Dumont Villares.

Formação com professores do Colégio Guilherme Dumont Villares ministrada por Carol Melo, supervisora de relações internas. São Paulo, 23/01/2014. ©Sattva Horaci / Fundação Bienal de São Paulo

“Achei ótima a formação, pois junta o pessoal da escola, engloba e expande a discussão da arte. É muito bom conhecer e ouvir colegas de trabalho de outro prédio (o colégio tem duas unidades) que não tínhamos contato.”

Ana Luisa Tarote, professora de teatro infantil no Colégio Guilherme Dumont Villares.

Texto: Vivian Lobato
Fotos: Sattva Horaci

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